Introdução: Fístulas esofagopleural (FEP) e broncopleural (FBP) são complicações graves pós-pneumonectomia, associadas a alta morbimortalidade. A escassez de dados dificulta a padronização do manejo, tornando essencial revisar estratégias e desfechos. Objetivo: Avaliar as abordagens de tratamento e os resultados de FEP e FBP após pneumonectomia, com foco em mortalidade, complicações e eficácia das intervenções. Métodos: Foi realizada revisão sistemática de estudos publicados no último ano na base PubMed, utilizando os descritores "Pneumonectomy" e "Pneumonectomia", com filtros para meta-análises e revisões sistemáticas. Analisaram-se dados demográficos, técnicas de manejo (conservador, endoscópico, cirúrgico) e desfechos (mortalidade, tempo de seguimento). Resultados: Para FEP, 59 pacientes de 31 estudos foram analisados, com idade mediana de 59,5 anos e 25% apresentando FBP sincrônica. A mortalidade por todas as causas foi de 31% (18/59), com mediana de 35 dias entre pneumonectomia e óbito. Tratamentos conservadores foram usados em pacientes assintomáticos, enquanto intervenções endoscópicas e cirúrgicas variaram, sem padrão definido. Para FBP, 16 estudos destacaram o reforço do coto brônquico com tecidos (músculo intercostal, gordura mediastinal), sendo três estudos com redução significativa do risco de FBP (p<0,05). Apenas um ensaio randomizado incluiu grupo controle, limitando comparações robustas. Conclusão: FEP e FBP pós-pneumonectomia apresentam alta mortalidade e manejo heterogêneo. Intervenções cirúrgicas e endoscópicas mostram viabilidade em centros especializados, enquanto o reforço do coto brônquico reduz FBP em pacientes de alto risco. Entretanto, há carência de estudos randomizados que estabeleçam protocolos padronizados de prevenção e tratamento, reforçando a necessidade de abordagem multidisciplinar e de registros prospectivos para aprimorar o cuidado desses pacientes.
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